v. 31 n. 4 (2021): Revista Ciência Animal
Relato de Caso

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO VIDEOASSISTIDO DE TUMOR DE CÉLULAS DE LEYDIG EM CADELA COM SÍNDROME DO OVÁRIO REMANESCENTE

Fernanda Conte
Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Catarina
Sabrina Allendes Bravo
Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Catarina
Thabata Laccort Bortolato
Médica Veterinária Autônoma
Ítallo Barros de Freitas
Inove Saúde Animal
Adriana Marks
Inove Saúde Animal
Rogério Luizari Guedes
Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Catarina

Publicado 2022-11-03

Palavras-chave

  • Neoplasia ovariana,
  • ovário remanescente,
  • videocirurgia,
  • cão

Como Citar

CONTE, F. .; BRAVO, S. A.; BORTOLATO, T. L.; FREITAS, Ítallo B. de .; MARKS, A. .; GUEDES, R. L. DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO VIDEOASSISTIDO DE TUMOR DE CÉLULAS DE LEYDIG EM CADELA COM SÍNDROME DO OVÁRIO REMANESCENTE. Ciência Animal, [S. l.], v. 31, n. 4, p. 181–187, 2022. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/cienciaanimal/article/view/9305. Acesso em: 9 jan. 2026.

Resumo

Neoplasias ovarianas de origem primária são incomuns em cadelas, exigindo métodos diagnósticos e terapêuticos mais precisos. Fêmeas também possuem células intersticiais secretoras de esteróides, contudo o aparecimento do tumor de células de Leydig é considerado raro. Uma cadela sem raça definida e 12 anos apresentava sinais de estro após ovariohisterectomiapré-púbere. Na avaliação ultrassonográfica, foi identificada uma massa localizada na região abdominal lateral direita, sugestiva de ovário remanescente. Durante a inspeção laparoscópica foi identificada a massa distante caudalmente do coto ovariano direito, inserida em região de mesentério jejunal. O segmento intestinal foi apreendido e exteriorizado de maneira videoassistida, optando-se pela remoção do tumor associado à enterectomia do segmento afetado. A avaliação do coto ovariano esquerdo, revelou um cisto de 0,5cm de diâmetro que também foi removido. A análise histopatológica foi sugestiva de neoplasia de células intersticiais (tumor de células de Leydig) e um cisto epitelial ovariano. O tumor de células de Leydig é relatado com freqüência em machos, entretanto, sua aparição em fêmeas é considerada extremamente incomum acometendo principalmente animais não esterilizados. A neoplasia não aderida ao coto ovariano comprova ainda que resquícios de tecido ovariano que porventura fiquem livres na cavidade abdominal podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da síndrome do ovário remanescente e neoplasias. O prognóstico para neoplasias ovarianas sem metástases é favorável, principalmente quando aplicada a intervenção cirúrgica como método terapêutico. O uso da videocirurgia para auxiliar no diagnóstico e tratamento demonstrou-se adequado para o caso descrito, mas que deve ser complementado pela análise histopatológica.

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