https://revistas.uece.br/index.php/centurias/issue/feedCENTÚRIAS - Revista Eletrônica de História2025-12-20T14:53:05-03:00Cintya Chavescenturias.revista@uece.brOpen Journal Systems<p>A CENTÚRIAS - Revista Eletrônica de História foi criada em 2023, pelo Programa de Educação Tutorial - PET/MEC, do curso de História, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos - FAFIDAM, <em>campus</em> da Universidade Estadual do Ceará - UECE, na cidade de Limoeiro do Norte – Ce. A Revista se destina à divulgação de artigos produzidos por pesquisadores sem oferecer restrição de titulação, podendo nela publicar discentes e docentes de História. Pautando a excelência dos conteúdos publicados, o periódico conta com uma Equipe Editorial constituída por professores-pesquisadores da área de História. </p> <p><span style="vertical-align: inherit;">e-ISSN: 2965-1867</span></p>https://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/15911UMA VIDA DE SURURU2025-09-21T13:06:30-03:00Willian Scalco Painscalcopain@gmail.com<p>Este artigo analisa como Graciliano Ramos, em seu livro <em>Angústia</em> (1936), constrói uma representação sensível da cidade de Maceió no início do século XX, ressaltando as contradições sociais e existenciais da modernidade urbana. O objetivo almejado é o de investigar a relação entre História e Literatura, explorando como o autor articula, por meio da trama de seu texto, os espaços urbanos, isto para destacar as desigualdades, tensões política e os impactos do capitalismo incipiente sobre a subjetividade. A abordagem combina análise literária e contexto histórico, considerando a trajetória pessoal do autor e o jogo simbólico dos ambientes descritos. Conclui-se que Ramos imagina o espaço urbano como força opressora que materializa uma modernidade fragmentada, na qual a promessa de progresso convive com o desamparo e a alienação. Desse modo, a cidade narrada em <em>Angústia</em> adquire contornos quase metafísicos, de representação dos processos de tentativa de inserção do país na modernidade ocidental.</p>2025-11-10T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Willian Scalco Painhttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/15721REZAR, BENZER E CURAR 2025-06-28T14:11:48-03:00Elton Mirandaelton.miranda@aluno.uece.brRyann Cabral Diasryann.dias@aluno.uece.brMaria Eduarda Moreira Oliveirameeduarda.moreira@aluno.uece.br<p><span style="font-weight: 400;">Com base no pensamento de Chartier, o estudo sobre as práticas e as representações coletivas é essencial para o entendimento do ser humano como animal cultural, que dentre outros aspectos, busca questionar a separação rígida entre cultura popular e cultura erudita. É neste contexto que o artigo se insere, tendo como objetivo buscar relacionar a historiografia da Saúde Pública no Brasil e no Ceará com as memórias de uma rezadeira da Lagoa Redonda, em Fortaleza, buscando aprofundar-se sobre as rezas e benzimentos como práticas complementares à medicina convencional, ressaltando seu valor cultural e simbólico, além de tensionar os saberes populares com os eruditos, inseridos tanto no campo da História Cultural como na História das Saúdes e das Doenças. A pesquisa destaca a construção de práticas populares de cura e sua importância para a narrativa histórica por meio da História Oral. A metodologia adotada é qualitativa e exploratória, fundamentada em fontes bibliográficas e em uma entrevista realizada em 2023 com uma rezadeira local. As rezas e benzimentos, além de oferecerem cuidados alternativos, também desempenham papel fundamental na preservação da Memória Social, contribuindo para o entendimento de experiências individuais e coletivas relacionadas à saúde. O artigo também reforça, portanto, a relevância do saber popular nas abordagens históricas sobre cura e doença frente à modernização e à marginalização social.</span></p>2025-11-25T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Elton Miranda, Ryann Cabral Dias, Maria Eduarda Moreira Oliveirahttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16038MULHERES FORRAS NA JUSTIÇA2025-09-21T11:01:36-03:00Beatriz Sales Diasbeatriz.dias@estudante.ufjf.br<p>Este artigo tem como objetivo apresentar, por meio do estudo de um caso específico, uma breve análise sobre a presença de mulheres forras na justiça local da cidade de Mariana, capitania de Minas Gerais, no ano de 1745. Para tanto, faremos uso de um processo-crime do dito ano, no qual estão envolvidas, como autora e ré, duas mulheres pardas forras, Joana de Gouvea e Maria da Costa, ambas moradoras no arraial da Passagem. Através desta ação de ameaça de agressão, intentamos compreender como se davam as manifestações jurídicas das libertas na sociedade em questão e notar a dinâmica de suas relações sociais e econômicas quando acontecia um evento que as levava a procurar a justiça. Além disso, busca-se refletir sobre a agência dessas mulheres dentro de um sistema jurídico colonial que, embora estruturado por fortes hierarquias raciais e sociais, ainda assim oferecia brechas de atuação às pessoas libertas. O estudo também visa contribuir para o debate historiográfico acerca da atuação de sujeitos subalternos na esfera judicial, evidenciando como, mesmo diante de limitações institucionais, essas mulheres conseguiam mobilizar recursos legais para defender seus interesses e reafirmar sua posição social, bem como sua honra.</p>2025-12-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Beatriz Sales Diashttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/15850AS NARRATIVAS DE UM BANDIDO MIDIÁTICO2025-09-21T14:43:45-03:00Antônia Jéssica Silvaantjessica20@gmail.com<p>Este artigo analisa a construção midiática de Paulo Nicácio da Silva, ou o Paulo Queixada, como arquétipo do “bandido do momento” nas páginas do <em>Diário de Natal</em> entre 1983 e 1989. Ao longo desse período, a imprensa local transformou o detento em uma figura ambivalente: simultaneamente estigmatizada e celebrizada. A partir de episódios como a “Chacina da Pororoca” e entrevistas sensacionalistas, Queixada foi apresentado como um símbolo da violência carcerária, deslocando o foco das falhas estruturais do sistema penal para a personalização da criminalidade. Com base em autores como Goffman (2002; 2008), Foucault (2014) e Susin (2022), a pesquisa problematiza como a imprensa atua como um palco simbólico de espetacularização da violência, contribuindo para a legitimação do estigma e da exclusão social. A Penitenciária Doutor João Chaves, espaço emblemático dessa representação, aparece como síntese da falência do sistema prisional potiguar durante a ditadura e seus desdobramentos.</p>2025-12-16T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Antonia Jéssica Silvahttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16919ENTREVISTA COM DANIELA MÁRCIA MEDINA PEREIRA AGAPTO2025-12-20T14:17:15-03:00Priscilla Régis Cunha de Queirozpriscilla.queiroz@ufca.edu.br<p><strong>Daniela Márcia Medina Pereira Agapto</strong> é licenciada e mestre em História pela UFC, com doutorado em História Social pela Universidade Federal Fluminense - UFF. Atualmente é professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará - UECE, vinculada à Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central - FECLESC. Desenvolve pesquisas nas áreas de História Social, História do Brasil, Pós-Abolição e Religiosidades Populares, com destaque para os estudos sobre romarias e experiências negras no Nordeste brasileiro no século XIX e início do XX. É autora da tese <em>“Romarias e liberdades: Juazeiro do Norte e o pós-abolição (1860–1914)”</em>, defendida em 2020, e tem atuação ativa em projetos e eventos acadêmicos na área de História. <strong>Lattes:</strong> <a href="http://lattes.cnpq.br/7464481756910523">http://lattes.cnpq.br/7464481756910523</a>. <strong>E- Mail:</strong> <a href="mailto:daniela.medina@uece.br">daniela.medina@uece.br</a>.</p> <p><strong> </strong></p>2025-12-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Priscilla Régis Cunha de Queirozhttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16920ENTREVISTA COM JOSÉ HILÁRIO FERREIRA SOBRINHO2025-12-20T14:53:05-03:00Juliana Magalhães Linharesjulianalinhares05@gmail.com<p><strong>Hilário Ferreira Sobrinho</strong> é formado em Ciências Sociais, com Mestrado em História Social (UFC). Atualmente é doutorando em História Social na Universidade Federal do Ceará. Autor de importantes obras como: ““<em>Catirina, minha Nêga tão querendo te vendê....”: escravidão, tráfico e negócios no Ceará do século XIX (1850-1881)”</em> e <em>“Abolição no Ceará: um novo olhar”</em>. Lattes: <a href="http://lattes.cnpq.br/8625955524144978">http://lattes.cnpq.br/8625955524144978</a>. E-mail: <a href="mailto:hilario42@gmail.com">hilario42@gmail.com</a>.</p> <p> </p>2025-12-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Juliana Magalhães Linhareshttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16910APRESENTAÇÃO2025-12-19T08:05:08-03:00Priscilla Régis Cunha de Queirozpriscilla.queiroz@ufca.edu.brJuliana Magalhães Linharesjulianalinhares05@gmail.com<p>O presente dossiê nasceu do esforço conjunto para explorar as complexas dinâmicas sociais que moldaram o Brasil após 1888, cientes que a abolição da escravidão extinguiu formalmente a instituição escravista, mas não assegurou a incorporação plena da população negra e pobre à cidadania republicana. A nova ordem social manteve desigualdades estruturais, sustentadas por mecanismos de exclusão que foram juridicamente reconfigurados, mas que preservaram, em larga medida, a lógica de coerção e subalternização herdada do regime escravista (CHALHOUB, 1990; MATTOS, 1998). Os artigos aqui reunidos, organizados por nós, professoras Priscilla Régis Cunha de Queiroz (UFCA) e Juliana Magalhães Linhares (Faculdade 05 de Julho), mergulham em pesquisas que investigam como as populações negras, muitas vezes marginalizadas, forjaram suas identidades, reivindicaram direitos e construíram a cidadania em um cenário permanente de exclusão. Os textos aqui reunidos buscam dar conta da construção de pesquisas sólidas que, em seu transcurso de consolidação, somaram à produção do debate historiográfico, destacando a importância das pesquisas sobre a construção da cidadania pós-abolição no Brasil.</p>2025-12-19T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Priscilla Régis Cunha de Queiroz, Juliana Magalhães Linhareshttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/15896ABOLIÇÃO INACABADA2025-07-21T17:01:09-03:00Kaique Rodrigues Vieirakaaahvieira@gmail.com<p>Este artigo analisa as representações da população negra nos jornais brasileiros entre 1888 e 1930, no contexto pós-abolição. A partir de uma revisão historiográfica recente e de contribuições teóricas sobre raça, representações e cidadania, o trabalho busca compreender como a imprensa retratou os ex-escravizados, ora reforçando estigmas raciais, ora denunciando suas condições de vida. A análise se apoia em fontes documentais, como periódicos, caricaturas e estatísticas, além da contribuição de autores como Beatriz Nascimento, Lilia Schwarcz, Kabengele Munanga e Frantz Fanon. Com isso, pretende-se contribuir para o debate sobre a construção simbólica da cidadania negra no Brasil e os mecanismos de invisibilização e resistência frente à exclusão social e ao racismo estrutural.</p>2025-12-19T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Kaique Rodrigues Vieirahttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16084ENTRE A PROVÍNCIA E A CORTE2025-12-15T08:09:48-03:00Alisson Freitas da Silvaalisson.freitas@aluno.uece.br<p>Este estudo pretende refletir sobre a relação entre política e abolicionismo no Ceará a partir da formação da Tríplice Aliança, coligação política formada em meados dos anos 1880 que apresentava tanto políticos liberais quanto conservadores ligados à políticos sediados na Corte. Inserindo-se em meio aos debates políticos do período, o artigo busca compreender quais os objetivos da criação dessa coligação, os principais agentes que estiveram envolvidos em suas ações e como o grupo se comportava. Dessa forma, se almeja realizar um jogo de escalas, articulando o contexto cearense e o âmbito imperial. A análise se baseia em dois conjuntos documentais principais: a imprensa e em correspondências. No primeiro, o cotidiano político era gerador de inúmeros textos, contendas, crônicas e pronunciamentos partidários; já no segundo, constam informações, mudanças de direção e dados confidenciais intercambiados entre os próprios políticos envolvidos na Tríplice. Há poucas menções sobre essa coligação na historiografia local, logo, sua análise nos possibilita dar um novo ângulo para a relação entre política e abolicionismo no Ceará, principalmente no tocante às ações escravistas que se desenharam no Ceará após o dia 25 de março de 1884.</p>2025-12-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Alisson Freitas da Silvahttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/15674ENTRE DEMOCRACIA RACIAL E A CIDADANIA DA POPULAÇÃO NEGRA PÓS - ABOLIÇÃO2025-06-24T09:46:23-03:00Thiago Medeiros Fernandeskakohistoria@gmail.com<p>O presente artigo compreende discutir as tensões sociais e seus desdobramentos nas relações sociais no contexto pós-abolição, partindo do itinerário formativo das organizações negras e suas dissonâncias e consonâncias pelo aporte da educação, com base crucial para uma conscientização racial. Bem como analisar o percurso político e social que abrangeu a Frente Negra Brasileira para o processo de inserção social na sociedade do pós-abolição. Então, a base metodológica contempla uma revisão bibliográfica e periódicos do período. Tal escolha parte de jornais que contemplem sua produção para a comunidade negra, assim como um olhar teórico das relações sociais estabelecidas pela História Social, por uma análise dos sujeitos e suas migrações relacionais para a construção de uma identidade negra por meio da educação. Desta forma, utiliza-se como suporte teórico-conceitual de problematização a <em>democracia racial</em> (FERNANDES, 2008), bem como sua análise ancorada pela <em>memória herdada</em> (POLLAK, 1992), ambos alicerçam o debate sobre a resistência para o alcance da cidadania da população negra no pós-abolição. Por fim, o quanto as organizações negras pós-abolição foram cruciais na construção da identidade por meio da educação, principalmente no que tange os direitos da cidadania plena na sociedade no contexto da pós-abolição.O presente artigo compreende discutir as tensões sociais e seus desdobramentos nas relações sociais no contexto pós-abolição, partindo do itinerário formativo das organizações negras e suas dissonâncias e consonâncias pelo aporte da educação, com base crucial para uma conscientização racial. Bem como analisar o percurso político e social que abrangeu a Frente Negra Brasileira para o processo de inserção social na sociedade do pós-abolição. Então, a base metodológica contempla uma revisão bibliográfica e periódicos do período. Tal escolha parte de jornais que contemplem sua produção para a comunidade negra, assim como um olhar teórico das relações sociais estabelecidas pela História Social, por uma análise dos sujeitos e suas migrações relacionais para a construção de uma identidade negra por meio da educação. Desta forma, utiliza-se como suporte teórico-conceitual de problematização a <em>democracia racial</em> (FERNANDES, 2008), bem como sua análise ancorada pela <em>memória herdada</em> (POLLAK, 1992), ambos alicerçam o debate sobre a resistência para o alcance da cidadania da população negra no pós-abolição. Por fim, o quanto as organizações negras pós-abolição foram cruciais na construção da identidade por meio da educação, principalmente no que tange os direitos da cidadania plena na sociedade no contexto da pós-abolição.</p>2025-12-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Thiago Medeiros Fernandeshttps://revistas.uece.br/index.php/centurias/article/view/16151TUTELA, SOLDADA E LIBERDADE VIGIADA EM FORTALEZA - CE 2025-09-21T13:57:21-03:00Juliana Magalhaes Linharesjulianalinhares05@gmail.com<p>Este artigo analisa o aumento dos termos de tutela e dos contratos de soldada em Fortaleza ao final do século XIX, contextualizando-os no processo de transição do trabalho escravizado para o trabalho livre no Brasil. Parte-se da hipótese de que tais mecanismos foram acionados como formas de disciplinamento social, sobretudo da infância pobre e racializada, em um contexto marcado pelo fim da escravidão, pela seca e pelo crescimento do número de órfãos e ingênuos. A partir da análise documental, observam-se estratégias institucionais que visavam retirar crianças e adolescentes das ruas por meio de sua vinculação ao trabalho doméstico ou rural, legitimada por instrumentos legais como os termos de responsabilidade e os contratos de soldada. Estes últimos, especialmente, revelam elementos de coerção e controle ao estipularem obrigações dos contratantes e permitirem o uso do trabalho infantil mediante pagamento simbólico. Entre 1883 e 1888, foram registrados 97 contratos envolvendo 105 menores — órfãos, libertos e ingênuos —, evidenciando uma prática recorrente de colocação de jovens sob tutela de ex-senhores ou famílias interessadas na exploração de sua força de trabalho. A análise sugere que essas práticas não estavam orientadas por motivações humanitárias, mas pela necessidade de reconfigurar o controle sobre os corpos infantis no novo regime do trabalho livre, prolongando, sob outras formas, a lógica de exploração característica do período escravista.</p>2025-12-29T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 Juliana Magalhaes Linhares